Resenha: Dezesseis Luas (Kami Gargia e Margaret Stohl)

O oitavo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é o Dezesseis Luas, de Kami Gargia e Margaret Stohl. Um novo romance fantástico (no sentido literário da palavra) repleto de mistérios, maldições, bruxaria, vidência, dramas e, sobretudo, amor. Uma interpretação diferente e inspiradora sobre bruxos.


dezesseis-luas1Título: Dezesseis Luas

Autor: Kami Gargia e Margaret Stohl

Editora: Galera Record

Páginas: 485

Sinopse: Ethan é um garoto normal de uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos e totalmente atormentado por sonhos, ou melhor, pesadelos com uma garota que ele nunca conheceu. Até que ela aparece… Lena Duchannes é uma adolescente que luta para esconder seus poderes e uma maldição que assombra sua família há gerações. Mais que um romance entre eles, há um segredo decisivo que pode vir à tona.


“É louco o que se vê quando não se está olhando.”

Dezesseis Luas me cativou e me prendeu desde o início. Embora eu tenha começado a leitura esperando outro romance fantástico – no sentido de fantasia da palavra – de adolescentes, a história se mostrou muito mais complexa e elaborada que isso. O mistério e a interpretação das autoras sobre esse “mundo secreto” da bruxaria despertaram meu interesse de imediato, fazendo com que eu me envolvesse com a trama.

Diferente de outros infanto-juvenis românticos, desta vez o protagonista é um homem. O jovem Ethan Lawson Wate, que passou toda sua vida na cidade sulista de Gatlin, deseja entrar para uma faculdade distante e conhecer o mundo. Mesmo que pareça um típico atleta de cidadezinha – e que sustente esse estereótipo diante dos colegas preconceituosos e conservadores -, ele costumar ler escondido e marcar em um mapa todos os lugares que anseia visitar. Sua vida pacata segue normalmente, exceto quanto aos estranhos e constantes pesadelos que têm atormentado suas noites. Sempre um pedido de socorro, sempre o odor de limão e alecrim, sempre o desespero ao perder alguém que sequer conhece.

Todas as perspectivas de Ethan Wate mudam quando Lena Duchannes, a sobrinha de Macon Ravenwood – o recluso da cidade -, aparece inesperadamente para o primeiro dia de aula. Misteriosa, diferente e atraente, a garota desperta o interesse nele na mesma proporção em que desperta o ódio nas famílias tradicionais da cidade. Este é o ponto em que a história começa a desenrolar.

Ela escrevia o tempo todo, do mesmo jeito que algumas pessoas mascavam chiclete ou mexiam no cabelo… acho que ela nem se dava conta.

O livro é escrito em primeira pessoa e narrado por um personagem masculino, mas quem o escreve são duas autoras. Para algumas pessoas isso se tornou um problema para a fidelidade da narrativa. Em algumas críticas alegaram que as escritoras, por serem mulheres, não conseguiram transpassar a masculinidade do protagonista. Eu discordo plenamente! Ethan é um rapaz romântico e sensível, mas nem por isso menos másculo. Consegue vivenciar o “mundo dos homens”, rodeado de clichês e estereótipos presentes na cidadezinha, enquanto nutre um sentimento precioso em seu peito.

Além disso, a história é muito bem escrita e desenvolvida. As autoras acertaram em cheio na sequência cronológica, na intensidade dos sentimentos e das cenas, nas personalidades dos personagens, nos mistérios apresentados, etc. Conseguiram trabalhar de maneira ótima a jovialidade dos adolescentes. As dúvidas e as incertezas dessa fase marcante da vida humana estavam presentes, mas não afetaram o tom sombrio exigido pela trama. Pode-se dizer que colocaram o drama na medida certa.

“A gente não precisa ficar preso no passado. E a gente também não precisa aceitar que as coisas tenham que ser do jeito que eram.”

O mistério das “Belas Criaturas¹” é envolvente. Os conjuradores (como são chamados os “bruxos” dessa série) possuem características únicas eintrigantes. Cada um tem uma espécie de variante que determina seus dons e afeta sua personalidade. Além disso, os conjuradores também são divididos entre Conjuradores da Luz e Conjuradores das Trevas. Diferente de outras linhagens, a família de Lena Duchannes sofre uma maldição: ao completar dezesseis anos, os conjuradores são invocados e tornam-se, involuntariamente, parte de um desses grupos.

Frio na barriga. Essa era uma porcaria de metáfora. Era mais como um tiro.

Este é o medo da personagem que impulsiona a história: ser invocada para o lado das Trevas. Apesar de estar enfrentando uma situação incontrolável e desesperadora, Lena não é o tipo de personagem que fica se fazendo de coitadinha. Outros mistérios também são apresentados durante o desenrolar da trama, abrindo um leque de possibilidades para as autoras trabalharem a sequência. Estou ansioso para a continuação!

Para finalizar, gostaria de ressaltar o quanto este livro me surpreendeu. Eu não esperava muito da história no começo, mas as autoras conseguiram me intrigar e me encantar com os detalhes diferenciais dessa obra. Existe uma linha tênue entre as coisas mundanas e o mundo dos conjuradores que me atraiu bastante. Um infanto-juvenil com tudo o que se tem direito.

P.s.: como quase sempre, o livro é infinitamente melhor que o filme. Então para quem fica receoso pela qualidade da obra com base na adaptação cinematográfica, eu digo: pega tudo o que você assistiu sobre Dezesseis Luas e descarte. Agora, dê uma chance para a literatura.

“Nunca amei você mais do que a amo nesse exato segundo. E nunca vou amar você menos do que a amo nesse exato segundo.”

1: Referência ao título original da série (“Beautiful Criatures”).

Este foi o oitavo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

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