Resenha: O Lado Bom da Vida (Matthew Quick)

Olá, galera! Tudo certo?

O sétimo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick. Um romance simples, mas cheio de filosofias e ideologias muito bonitas sobre a vida. Um misto de confusão, humor, obsessão, loucura e romantismo.


livro3Título: O Lado Bom da Vida

Autor: Matthew Quick

Editora: Intrínseca

Páginas: 159

Sinopse: Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um “tempo separados”.

Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com o pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida.

Uma história comovente e encantadora, de um homem que não desiste da felicidade, do amor e de ter esperança.


O Lado Bom da Vida é um livro de simplicidade envolvente. No início, eu não sabia exatamente o que esperar do enredo, ainda que as recomendações fossem muito boas. Contudo, acabei me surpreendendo com a sutileza e sensibilidade dessa obra.

O livro relata a história de Pat Peoples, que acaba de sair de uma instituição psiquiátrica – agora viciado em exercícios físicos e obcecado em recuperar sua ex-esposa. No entanto, ele não se lembra por que nem quanto tempo esteve internado. Com lapsos de memória e comportamentos pouco convencionais, o protagonista precisa se adaptar novamente a vida em sociedade. Uma trajetória que demanda muito esforço, mas que Pat Peoples realiza com determinação, persistência e esperança.

O mundo encontrará várias e várias maneiras de te machucar, mas você vai encontrar uma pessoa que te traga tanta felicidade e que te ame tanto que as feridas do mundo não vão mais te atingir, porque ela te protege, ela te ama, e acima de tudo você ama ela.

A narrativa, feita em primeira pessoa, começa um pouco confusa e lenta. Essas características, entretanto, provam a fidelidade do autor com a personalidade psiquicamente perturbada do protagonista. Em todo o livro, o texto corre no ritmo dos sentimentos de Pat. Isso fica ainda mais evidente nas cenas em que o personagem se exalta, porque a narrativa se torna mais acelerada e intensa. Percebe-se também um amadurecimento uniforme entre a escrita e o protagonista.

Existe também, infelizmente, alguns “vácuos” estranhos na história. Certos momentos são mencionados ou contados pelo protagonista com poucos detalhes, em vez de serem narrados quando fossem vividos. Isso é bastante comum em romances, mas desta vez deixou um vazio um pouco desagradável. O leitor pode sentir uma quebra na cronologia narrativa e a falta dessas cenas, mas não é nada que atrapalhe efetivamente o desenrolar da trama.

A vida não é um filme de censura livre para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes a vida real acaba mal. E a literatura tenta documentar essa realidade, mostrando-nos que ainda é possível suportá-la com nobreza.

A história transcorre de forma pouco eletrizante, na maioria das vezes. Os acontecimentos relatados não são extremamente dramáticos ou estimulantes – como muitos dos romances atuais -, mas existem momentos imprevisivelmente intensos. Aliás, essa imprevisibilidade do protagonista é o que torna a trama ainda mais emocionante para o leitor, que dificilmente conseguirá adivinhar como Pat reagirá a determinado acontecimento.

Outro detalhe interessantíssimo é o fato do autor mencionar outros livros como leituras de Pat, trazendo assim breves comentários e críticas. Com certeza, o leitor encontrará algumas obras que chamem sua atenção. Inclusive, a Letra Escarlate e o Apanhador no Campo do Centeio entraram imediatamente para minha lista de leitura.

Poderia observá-la dançar pelo resto da vida e, estranhamente, assistir a Tiffany voar sobre a pista de dança me dá aquela mesma sensação de estar flutuando sobre as ondas com a pequena Emily. Tiffany é boa assim.

Os protagonistas, Pat e Tiffany, formam um casal pouco convencional. Ambos sofreram traumas amorosos que afetaram profundamente seu psicológico e agora precisam recomeçar suas vidas. Contudo, de um lado temos Pat: um homem apaixonado pela ex-mulher e fissurado na ideia de reconquistá-la com as mudanças positivas que realiza em sua vida. No outro temos Tiffany: uma mulher desinibida – um pouco dissimulada – e ousada que se encanta aos poucos com a personalidade bondosa dele.

Seu primeiro encontro é estranho e confuso, como muitas das cenas em que estiveram juntos, mas acabam desenvolvendo uma amizade inesperada. Apesar das diferenças e dos comportamentos pouco comuns de ambos, eles acabam se entendendo, resultando em um romance – às vezes unilateral – que muda aos poucos suas vidas. Além disso, a personalidade de Tiffany traz muitos momentos engraçados e icônicos para o leitor.

Vale ressaltar também uma das características mais destacáveis do protagonista. A despeito das adversidades, Pat procura enxergar o lado positivo em todas as coisas e apreciar, dessa forma, O Lado Bom da Vida. Uma filosofia bonita que é retratada a todo momento.

Para finalizar, devo dizer que o livro é bastante simples e leve. A escrita não é das melhores, nem a trama das mais surpreendentes, mas é justamente essa simpleza que torna a obra maravilhosa. Proporciona uma leitura gostosa e divertida, além de reflexões sobre a essência da vida.

Este foi o sétimo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

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3 pensamentos sobre “Resenha: O Lado Bom da Vida (Matthew Quick)

    • Olá, Livia! Tudo certo?

      Muito obrigado pelo elogio e pela presença, viu? Realmente é um livro muito bonito e muito gostoso de se ler. Para falar a verdade, ainda não assisti a adaptação cinematográfica, mas algumas pessoas me deram spoilers que me levaram a pensar que deixaria mesmo a desejar. Principalmente porque na parte da dança no filme não toca Total Eclipse To The Heart! Como assim sem Bonnie Tyler? Rsrsrs. De todo modo, ainda quero muito assistir ao filme.

      Novamente agradeço a presença! Um abração. ;)

      • Por nada Gustavo!
        eu pensei a mesma coisa quando vi! “Cadê a Bonnie cantando??”
        Enfim, acho que a música fazia toda a diferença e pra mim foi uma das melhores partes do livro, e a pior do filme.
        Sucesso no blog!
        abraço

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