Resenha: Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia (Nelson Motta)

Olá, galera! Tudo certo?

O quarto livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é o “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”. Trata-se de uma biografia sobre Sebastião Rodrigues Maia escrita pelo inteligentíssimo Nelson Motta, jornalista e produtor musical, além de amigo próximo do cantor. Um livro recomendadíssimo para quem aprecia a música brasileira e um pouquinho de insanidade cotidiana. Segue a resenha.


Título: Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia

Autor: Nelson Motta

Editora: Objetiva

Páginas: 392

Sinopse: AUTODEFINIDO “preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares, o tijucano Tim Maia integrou o funk e o soul aos ritmos brasileiros, criou um estilo único e exuberante e se tornou um dos artistas mais queridos do público, da crítica e principalmente de outros artistas de diversos gêneros e gerações. Cantor extraordinário, de voz potente e fabuloso sentido rítmico, além de incontáveis sucessos que até hoje animam festas e embalam romances, Tim criou também um dos mais hilariantes personagens do Brasil moderno, o síndico anárquico, polêmico e indomável, desafiando a leia e a ordem em nome da música e da liberdade. Como raros artistas brasileiros, Tim sempre fez apenas o que queria, com quem e quando queria, do jeito que queria. E pagou o preço da sua liberdade e independência com inúmeras brigas e processos judiciais com gravadoras e empresários, se tornando um dos primeiros músicos brasileiros a ter sua própria gravadora e controle total da sua carreira. O jornalista e produtor musical Nelson Motta foi amigo e fã de Tim desde 1969, quando produziu o seu histórico dueto com Elis Regina, até 1997, em Nova York, poucos meses antes de sua morte. Sem censura, sem restrições e sem julgamentos, fiel à memória rebelde, desbocada e transgressora de Tim Maia, Nelson narra com paixão e irreverência s sua carreira brilhante e sua vida turbulenta, esperando que, como na canção de Caetano Veloso, tudo saia com o som de Tim Maia.


Esta é a primeira biografia que leio em minha vida.

Eu acreditava erroneamente não apreciar esse tipo de literatura, mas “Vale Tudo” acabou excedendo minhas expectativas de várias maneiras. Diferente do esperado para o gênero, a leitura é prazerosa e divertida. A história tem fluência, humor e irreverência característica do artista biografado. Há uma fidelidade impressionante à personalidade de Tim Maia.

O livro conta a história de um dos maiores cantores da música brasileira desde sua infância até seu amadurecimento. São relatadas suas primeiras aventuras musicais durante a juventude, sua estadia conturbada nos Estados Unidos, sua relação com as drogas, sua coleção de processos e LPs, suas parcerias com grandes músicos, etc.

Tudo isso é incrementado pela rebeldia e imprevisibilidade de Tim Maia. Os aspectos pessoais da vida do cantor, como suas paixões e seus vícios, são retratados de maneira entusiástica em meio a trajetória profissional. O leitor é apresentado ao polêmico estilo do artista, sem crítica ou censura.

Foi nessa entrevista, gravada, que ele disse sua frase imortal:

“Não fumo, não cheiro e não bebo, mas às vezes minto um pouquinho.”

Além disso, o contexto histórico é repleto de referências musicais interessantíssimas. Nelson Motta demonstra possuir um conhecimento amplo e profundo, descrevendo perfeitamente a realidade da época. Muitos músicos famosos são apresentados ao decorrer da história, sendo a maioria deles parceiros e admiradores do “pretinho da tijuca”. Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jorge Benjor, Rita Lee, Sandra de Sá e os componentes da banda Vitória Régia são alguns dos personagens artísticos importantes do enredo.

O protagonista é simpático e irreverente. Embora fosse um músico impressionante, com potencial vocal surpreendente e ótima habilidade rítmica, Tim Maia vivia numa montanha-russa constante. Faltava em seus shows, quebrava contratos de LPs, demitia e admitia músicos em sua banda sem hesitação, se acabava em seu triatlon (uma maratona de uísque, maconha e cocaína que realizava em companhia de amigos), não comparecia às audiências dos vários processos que sofria… Uma agitada e conturbada carreira musical.

“Fiz uma dieta rigorosa. Cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas perdi 14 dias.”

No entanto, certos aspectos da biografia não me agradaram. A cronologia nem sempre é respeitada – deixando algumas coisas um pouco vagas – e alguns dos acontecimentos relatados acabam parecendo repetitivos. Suas faltas em shows, suas brigas com amigos, seus desentendimentos com a lei e suas recaídas com as drogas se repetem frequentemente. O modo similar e repetitivo com que esses episódios acontecem acabam tornando a leitura um pouco cansativa ao decorrer do livro.

Sem mais delongas, “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” é uma excelente biografia. Quem gosta música, uma história bem-humorada e um personagem doidão irá se apaixonar por este livro. Super recomendo!

Este foi o primeiro livro de abril e quarto do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

Um pensamento sobre “Resenha: Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia (Nelson Motta)

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