Resenha: O Símbolo Perdido (Dan Brown)

O segundo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é O Símbolo Perdido, também de Dan Brown. Outra obra que, diga-se de passagem, aumenta meu fascínio pelo trabalho do escritor.


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Título: O Símbolo Perdido

Autor: Dan Brown

Editora: Arqueiro

Páginas: 442

Sinopse: Depois de ter sobrevivido a uma explosão no Vaticano e a uma caçada humana em Paris, Robert Langdon está de volta com seus profundos conhecimentos de simbologia e sua brilhante habilidade para solucionar problemas.

Em O Símbolo Perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon – eminente maçom e filantropo – a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadinha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo.

Mal’akh, o sequestrador, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode localizá-lo.

Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian.

Neste labirinto de verdades ocultas, códigos maçônicos e símbolos escondidos, Langdon conta com a ajuda de Katherine, irmã de Peter e renomada cientista que investiga o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico.

O tempo está contra eles. E muitas outras pessoas parecem envolvidas nesta trama que ameaça a segurança nacional, entre elas Inoue Sato, autoridade máxima do Escritório de Segurança da CIA, e Warren Bellamy, responsável pela administração do Capitólio. Como Langdon já aprendeu em suas outras aventuras, quando se trata de segredos e poder, nunca se pode dizer ao certo de que lado cada um está.

Nas mãos de Dan Brown, Washington se revela tão fascinante quanto o Vaticano ou Paris. Em O Símbolo Perdido, ele desperta o interesse dos leitores por temas tão variados como ciência noética, teoria das supercordas e grandes obras de arte, desafiando-os a abrir a mente para novos conhecimentos.


O Símbolo Perdido é, em minha opinião, simplesmente um dos livros mais excitantes do escritor. A história se desenrola de forma frenética mas incrivelmente consistente, com personagens que despertam um interesse genuíno.O mistério e o suspense é feito de forma espetacular, incitando o leitor a resolver os enigmas que aparecem no decorrer da aventura.

Somos apresentados a uma infinidade de informações novas e interessantes. Como a maioria das obras de Dan Brown, este livro trabalha com dois assuntos que são comumente vistos como misteriosos e cheios de dilemas morais: a franco-maçonaria e a ciência noética (estudo da capacidade da mente humana em influenciar o mundo físico). Além disso, o cenário de Washington, D.C., cria um ambiente perfeito de mistério. Para quem deseja conhecer um pouco mais sobre a sociedade secreta, a ciência da mente e a capital norte-americana vale muito a pena dar uma conferida. Você literalmente adquire conhecimento enquanto desfruta de uma leitura espetacular – assim como os demais livros do autor.

– A verdade… – disse Solomon, dirigindo-se ao auditório. -… tem poder. E, se todos gravitamos em torno de ideias semelhantes, talvez isso se dê porque elas sejam verdadeiras… e estejam escritas bem no fundo de nosso ser. E, quando ouvimos a verdade, mesmo que não a compreendamos, sentimos que ela ecoa dentro de nós… em sintonia com nosso conhecimento inconsciente. Talvez não possamos aprender a verdade, mas sim reinvocá-la… relembrá-la… e reconhecê-la… como aquilo que já existe dentro de nós.

A história contém aquela mesma sequência das narrativas de Dan Brown citado em minha resenha de Anjos e Demônios. O protagonista recebe um chamado, uma vítima relacionada a algum tipo de sociedade ou religião é apresentada, uma cientista que tem algum tipo de parentesco com a vítima auxilia o simbolista em sua jornada, um vilão perturbado e inesperado utiliza o conhecimento do professor para alcançar seus objetivos, etc. Um conjunto de esteriótipos que causam um leve desconforto no início, mas não chega a atrapalhar o interesse pela leitura. Um pouco mais de criatividade e inovação nesse quesito não seria má ideia.

Contudo, O Símbolo Perdido pareceu levemente diferente dos demais. As personagens possuem uma atmosfera de mistério tão interessante que chega-se a esquecer desses estereótipos e entregar-se às personalidades que são apresentadas. O vilão, Mal’akh, parece tão intimidador e poderoso que suas aparições são desejáveis. Um homem inteligente, simpático e manipulador que consegue – sozinho – desenrolar uma série de acontecimentos que arriscam a estabilidade política e moral dos Estados Unidos da América.

Robert, como sempre, continua despertando uma empatia forte tanto para as personagens quanto para os leitores. Seu desenvolvimento em comparação às aventuras anteriores parece sutil, mas é intensificado ao decorrer desta aventura. Existe um amadurecimento claro e latente, sem parecer artificial. Assim como Peter e Katherine Solomon, que possuem uma história incrivelmente dramática e comovente.

O Símbolo Perdido também tem outro fator a seu favor: a capacidade elevada de envolver o leitor com os enigmas da história. Existem literalmente mistérios explícitos e implícitos que podem ser revolvidos antes mesmo das personagens descobrirem seus significados. O leitor pode muito bem juntar certos quebra-cabeças sem esperar que Robert Langdon o faça, fascinando-o ainda mais com o desenrolar da história.

– É esse o verdadeiro presente, Robert, e Deus está esperando que entendamos isso. Pelo mundo todo, ficamos olhando para o céu à procura de Deus… sem nunca perceber que Ele está esperando por nós. – Katherine fez uma pausa, dando tempo para aquelas palavras serem absorvidas. – Nós somos criadores, mas ainda assim ficamos ingenuamente fazendo o papel de criaturas. Vemos a nós mesmos como ovelhas indefesas, manipuladas pelo Deus que nos criou. Nos ajoelhamos como crianças assustadas, implorando ajuda, perdão, boa sorte. Mas quando percebermos que somos realmente feitos à imagem do Criador, vamos começar a entender que nós também devemos ser criadores. Assim que entendermos esse fato, as portas do potencial humano irão se escancarar.

Também existe menos polêmica e mais imparcialidade nesta obra de Dan Brown. Diferente das demais, o escritor não aponta muitas vertentes sobre os assuntos tratados. Existe sim um debate ético sobre os prós e contras, os lados positivos e negativos, mas nada comparado com os livros anteriores. Enfim, nada disso refuta a qualidade do autor em criar histórias empolgantes.

No entanto, o final do livro se mostra um pouco decepcionante. A narrativa começa a desacelerar, os mistérios se tornam mais simples e menos empolgantes, os personagens se mostram menos encantadores que inicialmente – principalmente o vilão. Os últimos capítulos, após do excitante clímax da história, é que traz esse aspecto para a leitura. Depois que alguns enigmas são desmistificados e resolvidos, uma pitada de desapontamento percorre o leitor. O que, novamente, não nega a qualidade do escritor ou de seu livro.

De todo modo, O Símbolo Perdido é outra obra fantástica de Dan Brown. Repleta de conhecimento – como as demais – e uma aventura tão empolgante que exige a atenção do leitor. E, para quem ainda não leu os livros anteriores, não se apegue a cronologia. As obras possuem o mesmo protagonista e esquema, mas não compõe necessariamente uma série. São completamente independentes umas das outras. Enfim, apreciem a leitura!

Este foi o segundo livro de janeiro do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

Um pensamento sobre “Resenha: O Símbolo Perdido (Dan Brown)

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