Coração de Papel – Prólogo

Olá, leitores!

Quero começar agradecendo todas as pessoas que comentaram e as mais de noventa que visualizaram o primeiro post do Querida Mente Imperfeita. Pra mim é muito gratificante ver resultados positivos em tão pouco tempo de existência desse novo blog. Obrigado pela participação.

Em consequência do resultado rápido, hoje estou trazendo um pequeno prólogo feito no começo de 2011 para um RPG de Saint Seiya/Cavaleiros do Zodíaco. O texto começa a contar a história do receptáculo de Hades, um menino que perdeu sua memória e que volta descobrindo possuir uma habilidade fantástica. Infelizmente não tive pique para continuar a desenvolver os capítulos de Coração de Papel, mas espero que apreciem a leitura.

Coração de Papel – Prólogo

Minha mente me lembra agora um papel em branco, um livro ainda intocado, mesmo que eu saiba que exista algo escrito nela. Uma angústia e desespero haviam me tomado alguns minutos atrás, quando não conseguia nem me lembrar quem sou e de onde vim. Sinto-me sozinho, mesmo sentindo mãos doces aquecendo as minhas, mesmo sentindo uma respiração suave, mesmo sentindo uma alma bondosa tentando cuidar da minha.

Meus olhos não se abrem, sinto dificuldade em respirar e toda vez que tento me mover sinto uma dor extremamente forte que paralisa meus movimentos. Não me lembro o porquê, mas parece que meu corpo está cheio de cortes que ardem até mesmo quando meu pulmão se enche de ar. Mesmo assim ainda posso sentir uma mão delicada limpar meus ferimentos com cuidado, lavar meu rosto todas as noites e ainda me alimentar com uma sopa morna muito gostosa. Não consigo me alimentar muito e parece que a fome aumenta a cada dia em que estou repousando, dias dolorosos e aparentemente intermináveis.

Os pesadelos  continuam a me assombrar toda vez em que deixo minha mente cair para o mundo dos sonhos. Neles a escuridão reina com ainda mais presença que agora e a solidão parece muito mais forte, onde posso escutar apenas uma bela melodia. Porém, todas as vezes algo parece me puxar para a realidade com uma força arrasadora e fazer com que todos os meus ferimentos doam ainda mais.

Todos os meus pensamentos são relacionados à pessoa que me ajuda, àquela quem chamo carinhosamente de anjo, àquela que conforta a minha alma apenas com seu toque. Queria poder dormir em um sono eterno, mas me manter acordado é o que me deixa longe daqueles pesadelos que parecem tomar parte de minha essência. Sem poder dormir, espero ansioso todos os dias pela hora em que ela me limpa, me alimenta e muda minha posição; mesmo que esse último traga uma dor indescritível.

Posso sentir meus ferimentos se curarem lentamente, enquanto minha mente aflita procura uma forma de distração. Creio fielmente que “anjo” me mantém ainda sóbrio, o que me afasta da loucura que acompanha a solidão e ataca sorrateira. E assim sigo meus dias de tormenta, esperando o momento em que poderei despertar e finalmente voltar a realidade para descobrir quem sou…

8 pensamentos sobre “Coração de Papel – Prólogo

  1. ‘Incrível’ É a palavra para descreve-lo.
    Posso não ser muito inteligente quanto a textos, mas lacrimejei ao lê-lo.
    A maneira como o personagem se refere ao ‘anjo’ me fez imaginar um lado bom em tudo que existe (o que normalmente tento fazer todos os dias, conseguindo na maioria delas).
    Toda essa dor descrita no texto foi feita de uma maneira muito inteligente.
    Parabéns! Sei que você sabe tudo o que eu lhe desejo.

    • Obrigadão pelo comentário, Amandinha! <3

      Que bom que o texto conseguiu tocá-la! Essa coisa do "lado bom em tudo" que existe seria um dos assuntos do Coração de Papel, pois o personagem principal teria que lidar com os impulsos malignos e sua essência bondosa. Seriam vontades simultâneas e conflitos internos muito poderosos.

      Um grande beijo, amiga.

  2. Texto Brilhante Gustavo, continue assim rapaz. Gostei muito da História, principalmente da forma que o sentimento é transmitido no texto, de forma simples e emocionante.
    Continue sempre assim, Abraços e…
    Sucesso!

    VinyEDU

    • Que bom que gostou, Vinny!

      O sentimento era a coisa que mais queria abordar nesse prólogo, então fico contente que todos tenham percebido isso como algo marcante no texto. Obrigado pela participação, cara! Lhe desejo igual sucesso em tudo o que fizer.

      Abraço.

  3. Ah, o tal Marcos… XD

    Já te disse que às vezes, lendo seus textos, acho algumas construções meio estranhas, mas isso não muda o conteúdo. Gostei bastante do textinho, Gu.

    O título é interessante e bem adequado. Uma metáfora inteligente.

    Você conseguiu um nível ótimo de profundidade emocional com o personagem. Ainda mais para um prólogo. Gosto bastante desse estilo em que o personagem divaga levemente em alguns momentos, acrescentando pequenas impressões após informar algo etc.

    *modo convencido on*Não tá tão bom quanto meus textos *modo convencido off*, mas gostei, e acho que você deveria desenvolver a ideia e continuar escrevendo. ^^

    • Tuth, meu caro!

      O título, além da metáfora, tem muita relação com a habilidade do personagem. Quanto à profundidade emocional, espero mesmo que todos interpretem assim, porque era a intenção fazer algo profundo. Bom, a ideia tem muito o que desenvolver e a história tem muitas coisas interessantes, mas não estou animado para continuar escrevendo sobre Coração de Papel. Talvez um dia volte a escrever e venha a postar aqui.

      Um abração, mineirinho!

  4. Eu gostei muito do texto. O fim do primeiro parágrafo me tocou e me fez sentir empatia pelo personagem. Porém a ânsia de sair do seu estado de sofrimento e encontrar o “anjo” pecou um pouco para mim. Já que este se sentia sozinho, mesmo sob os cuidados de outra pessoa. Enfim, esta é a minha interpretação XD Continue nesse caminho Gus, e você irá melhorar a sua literatura até deixá-la perfeita. :b

    • Que bom que gostou muito do texto, Marquinhos!

      O texto tinha sido criado para uma introdução à uma história bastante simples, mas que teria a intenção de mexer muito com o lado emocional e os conflitos pessoais das personagens. Principalmente desse menino, que teria um poder gigantesco em mãos e uma responsabilidade ainda maior, além de precisar lutar para não ser dominado pelo deus grego que reina no submundo.

      Bom, obrigado pelo comentário.

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