Resenha: Dezesseis Luas (Kami Gargia e Margaret Stohl)

O oitavo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é o Dezesseis Luas, de Kami Gargia e Margaret Stohl. Um novo romance fantástico (no sentido literário da palavra) repleto de mistérios, maldições, bruxaria, vidência, dramas e, sobretudo, amor. Uma interpretação diferente e inspiradora sobre bruxos.


dezesseis-luas1Título: Dezesseis Luas

Autor: Kami Gargia e Margaret Stohl

Editora: Galera Record

Páginas: 485

Sinopse: Ethan é um garoto normal de uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos e totalmente atormentado por sonhos, ou melhor, pesadelos com uma garota que ele nunca conheceu. Até que ela aparece… Lena Duchannes é uma adolescente que luta para esconder seus poderes e uma maldição que assombra sua família há gerações. Mais que um romance entre eles, há um segredo decisivo que pode vir à tona.


“É louco o que se vê quando não se está olhando.”

Dezesseis Luas me cativou e me prendeu desde o início. Embora eu tenha começado a leitura esperando outro romance fantástico – no sentido de fantasia da palavra – de adolescentes, a história se mostrou muito mais complexa e elaborada que isso. O mistério e a interpretação das autoras sobre esse “mundo secreto” da bruxaria despertaram meu interesse de imediato, fazendo com que eu me envolvesse com a trama.

Diferente de outros infanto-juvenis românticos, desta vez o protagonista é um homem. O jovem Ethan Lawson Wate, que passou toda sua vida na cidade sulista de Gatlin, deseja entrar para uma faculdade distante e conhecer o mundo. Mesmo que pareça um típico atleta de cidadezinha – e que sustente esse estereótipo diante dos colegas preconceituosos e conservadores -, ele costumar ler escondido e marcar em um mapa todos os lugares que anseia visitar. Sua vida pacata segue normalmente, exceto quanto aos estranhos e constantes pesadelos que têm atormentado suas noites. Sempre um pedido de socorro, sempre o odor de limão e alecrim, sempre o desespero ao perder alguém que sequer conhece.

Todas as perspectivas de Ethan Wate mudam quando Lena Duchannes, a sobrinha de Macon Ravenwood – o recluso da cidade -, aparece inesperadamente para o primeiro dia de aula. Misteriosa, diferente e atraente, a garota desperta o interesse nele na mesma proporção em que desperta o ódio nas famílias tradicionais da cidade. Este é o ponto em que a história começa a desenrolar.

Ela escrevia o tempo todo, do mesmo jeito que algumas pessoas mascavam chiclete ou mexiam no cabelo… acho que ela nem se dava conta.

O livro é escrito em primeira pessoa e narrado por um personagem masculino, mas quem o escreve são duas autoras. Para algumas pessoas isso se tornou um problema para a fidelidade da narrativa. Em algumas críticas alegaram que as escritoras, por serem mulheres, não conseguiram transpassar a masculinidade do protagonista. Eu discordo plenamente! Ethan é um rapaz romântico e sensível, mas nem por isso menos másculo. Consegue vivenciar o “mundo dos homens”, rodeado de clichês e estereótipos presentes na cidadezinha, enquanto nutre um sentimento precioso em seu peito.

Além disso, a história é muito bem escrita e desenvolvida. As autoras acertaram em cheio na sequência cronológica, na intensidade dos sentimentos e das cenas, nas personalidades dos personagens, nos mistérios apresentados, etc. Conseguiram trabalhar de maneira ótima a jovialidade dos adolescentes. As dúvidas e as incertezas dessa fase marcante da vida humana estavam presentes, mas não afetaram o tom sombrio exigido pela trama. Pode-se dizer que colocaram o drama na medida certa.

“A gente não precisa ficar preso no passado. E a gente também não precisa aceitar que as coisas tenham que ser do jeito que eram.”

O mistério das “Belas Criaturas¹” é envolvente. Os conjuradores (como são chamados os “bruxos” dessa série) possuem características únicas eintrigantes. Cada um tem uma espécie de variante que determina seus dons e afeta sua personalidade. Além disso, os conjuradores também são divididos entre Conjuradores da Luz e Conjuradores das Trevas. Diferente de outras linhagens, a família de Lena Duchannes sofre uma maldição: ao completar dezesseis anos, os conjuradores são invocados e tornam-se, involuntariamente, parte de um desses grupos.

Frio na barriga. Essa era uma porcaria de metáfora. Era mais como um tiro.

Este é o medo da personagem que impulsiona a história: ser invocada para o lado das Trevas. Apesar de estar enfrentando uma situação incontrolável e desesperadora, Lena não é o tipo de personagem que fica se fazendo de coitadinha. Outros mistérios também são apresentados durante o desenrolar da trama, abrindo um leque de possibilidades para as autoras trabalharem a sequência. Estou ansioso para a continuação!

Para finalizar, gostaria de ressaltar o quanto este livro me surpreendeu. Eu não esperava muito da história no começo, mas as autoras conseguiram me intrigar e me encantar com os detalhes diferenciais dessa obra. Existe uma linha tênue entre as coisas mundanas e o mundo dos conjuradores que me atraiu bastante. Um infanto-juvenil com tudo o que se tem direito.

P.s.: como quase sempre, o livro é infinitamente melhor que o filme. Então para quem fica receoso pela qualidade da obra com base na adaptação cinematográfica, eu digo: pega tudo o que você assistiu sobre Dezesseis Luas e descarte. Agora, dê uma chance para a literatura.

“Nunca amei você mais do que a amo nesse exato segundo. E nunca vou amar você menos do que a amo nesse exato segundo.”

1: Referência ao título original da série (“Beautiful Criatures”).

Este foi o oitavo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

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Resenha: O Lado Bom da Vida (Matthew Quick)

Olá, galera! Tudo certo?

O sétimo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick. Um romance simples, mas cheio de filosofias e ideologias muito bonitas sobre a vida. Um misto de confusão, humor, obsessão, loucura e romantismo.


livro3Título: O Lado Bom da Vida

Autor: Matthew Quick

Editora: Intrínseca

Páginas: 159

Sinopse: Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um “tempo separados”.

Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com o pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida.

Uma história comovente e encantadora, de um homem que não desiste da felicidade, do amor e de ter esperança.


O Lado Bom da Vida é um livro de simplicidade envolvente. No início, eu não sabia exatamente o que esperar do enredo, ainda que as recomendações fossem muito boas. Contudo, acabei me surpreendendo com a sutileza e sensibilidade dessa obra.

O livro relata a história de Pat Peoples, que acaba de sair de uma instituição psiquiátrica – agora viciado em exercícios físicos e obcecado em recuperar sua ex-esposa. No entanto, ele não se lembra por que nem quanto tempo esteve internado. Com lapsos de memória e comportamentos pouco convencionais, o protagonista precisa se adaptar novamente a vida em sociedade. Uma trajetória que demanda muito esforço, mas que Pat Peoples realiza com determinação, persistência e esperança.

O mundo encontrará várias e várias maneiras de te machucar, mas você vai encontrar uma pessoa que te traga tanta felicidade e que te ame tanto que as feridas do mundo não vão mais te atingir, porque ela te protege, ela te ama, e acima de tudo você ama ela.

A narrativa, feita em primeira pessoa, começa um pouco confusa e lenta. Essas características, entretanto, provam a fidelidade do autor com a personalidade psiquicamente perturbada do protagonista. Em todo o livro, o texto corre no ritmo dos sentimentos de Pat. Isso fica ainda mais evidente nas cenas em que o personagem se exalta, porque a narrativa se torna mais acelerada e intensa. Percebe-se também um amadurecimento uniforme entre a escrita e o protagonista.

Existe também, infelizmente, alguns “vácuos” estranhos na história. Certos momentos são mencionados ou contados pelo protagonista com poucos detalhes, em vez de serem narrados quando fossem vividos. Isso é bastante comum em romances, mas desta vez deixou um vazio um pouco desagradável. O leitor pode sentir uma quebra na cronologia narrativa e a falta dessas cenas, mas não é nada que atrapalhe efetivamente o desenrolar da trama.

A vida não é um filme de censura livre para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes a vida real acaba mal. E a literatura tenta documentar essa realidade, mostrando-nos que ainda é possível suportá-la com nobreza.

A história transcorre de forma pouco eletrizante, na maioria das vezes. Os acontecimentos relatados não são extremamente dramáticos ou estimulantes – como muitos dos romances atuais -, mas existem momentos imprevisivelmente intensos. Aliás, essa imprevisibilidade do protagonista é o que torna a trama ainda mais emocionante para o leitor, que dificilmente conseguirá adivinhar como Pat reagirá a determinado acontecimento.

Outro detalhe interessantíssimo é o fato do autor mencionar outros livros como leituras de Pat, trazendo assim breves comentários e críticas. Com certeza, o leitor encontrará algumas obras que chamem sua atenção. Inclusive, a Letra Escarlate e o Apanhador no Campo do Centeio entraram imediatamente para minha lista de leitura.

Poderia observá-la dançar pelo resto da vida e, estranhamente, assistir a Tiffany voar sobre a pista de dança me dá aquela mesma sensação de estar flutuando sobre as ondas com a pequena Emily. Tiffany é boa assim.

Os protagonistas, Pat e Tiffany, formam um casal pouco convencional. Ambos sofreram traumas amorosos que afetaram profundamente seu psicológico e agora precisam recomeçar suas vidas. Contudo, de um lado temos Pat: um homem apaixonado pela ex-mulher e fissurado na ideia de reconquistá-la com as mudanças positivas que realiza em sua vida. No outro temos Tiffany: uma mulher desinibida – um pouco dissimulada – e ousada que se encanta aos poucos com a personalidade bondosa dele.

Seu primeiro encontro é estranho e confuso, como muitas das cenas em que estiveram juntos, mas acabam desenvolvendo uma amizade inesperada. Apesar das diferenças e dos comportamentos pouco comuns de ambos, eles acabam se entendendo, resultando em um romance – às vezes unilateral – que muda aos poucos suas vidas. Além disso, a personalidade de Tiffany traz muitos momentos engraçados e icônicos para o leitor.

Vale ressaltar também uma das características mais destacáveis do protagonista. A despeito das adversidades, Pat procura enxergar o lado positivo em todas as coisas e apreciar, dessa forma, O Lado Bom da Vida. Uma filosofia bonita que é retratada a todo momento.

Para finalizar, devo dizer que o livro é bastante simples e leve. A escrita não é das melhores, nem a trama das mais surpreendentes, mas é justamente essa simpleza que torna a obra maravilhosa. Proporciona uma leitura gostosa e divertida, além de reflexões sobre a essência da vida.

Este foi o sétimo livro do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

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Resenha: P.s. Eu Te Amo (Cecelia Ahern)

Olá, galera! Tudo certo?

O sexto livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é o romance P.s. Eu Te Amo, de Cecelia Ahern. Um livro que possui uma proposta de amor e superação que me pareceu desde o início muito bacana, prometendo trazer certa reflexão para o leitor. Presenteei minha mãe com uma edição dele alguns anos atrás, mas somente agora decidi lê-lo.


PS-Eu-Te-AmoTítulo: P.s. Eu Te Amo

Autor: Cecelia Ahern

Editora: Novo Conceito

Páginas: 253

Sinopse: Algumas pessoas esperam a vida inteira para encontrar sua alma gêmea. Mas esse não é o caso de Holly e Gerry. Eles eram amigos de infância, portanto conseguiam saber o que o outro estava pensando e, até quando brigavam, eles se divertiam. Ninguém conseguia imaginá-los separados. Até que o inesperado acontece e Gerry morre, deixando-a devastada.

Conforme seu aniversário de 30 anos se aproxima, Holly descobre um pacote de cartas no qual Gerry, gentilmente, escreveu uma carta para cada mês da nova vida dela sem ele. Com ajuda de seus amigos e de sua família barulhenta e carinhosa, Holly consegue rir, chorar, cantar, dançar e ser mais corajosa do que nunca.

Ela percebe que a vida deve ser vivida, mas que é sempre bom ter alguém para te guiar.


P. s. Eu Te Amo é um livro de proposta encantadora. Depois de perder o marido, Holly Kennedy se sente despreparada para seguir em frente. Sua vida, antes movida por um relacionamento feliz e realizado, se transforma em uma rotina monótona e solitária. O luto se torna o centro dos seus dias.

Quando seu aniversário de 30 anos se aproxima, no entanto, Holly recebe uma surpresa que pode mudar essa nova realidade. Como prometido, Gerry escreveu uma série de cartas chamada de “A Lista”, que deve ser lida mensalmente e cujas instruções devem ser seguidas a risca. Apesar da inevitável realidade, a personagem se sente próxima do marido mais uma vez e, através das suas mensagens, busca forças para superar sua ausência.

Do mês de março à dezembro, Holly deve abrir uma das cartas (relacionada ao mês presente) e seguir as instruções indicadas pelo marido. Com a ajuda de amigos e familiares, a protagonista luta para vencer o luto e refazer sua vida, com o auxílio mais que especial de sua alma gêmea.

Uma ideia extremamente romântica e bonita. A proposta das cartas, de um romance sobre um amor perdido, foi justamente o que me atraiu no livro de Cecelia Ahern. O conteúdo desses textos possui caráter motivador, impulsionando mudança na vida da protagonista. Isso, querendo ou não, gera uma reflexão interessante. O que eu esperaria dos meus entes queridos após a morte? Como eu gostaria que seguissem sua vida? Como eu reagiria com a perda de alguém tão importante?

As cartas são sucintas e pouco descritivas, mas possuem um conteúdo muito significativo para Holly. Aos poucos, as mensagens de Gerry ajudam-na a reconstituir sua vida e a reencontrar a felicidade. Além disso, todas as cartas estão assinadas com uma singela e bela declaração no P.s. (Post-Scriptum): “Eu te amo”.

O livro conta a trajetória de superação da protagonista sob uma perspectiva pouco comum nos romances. A história possui uma veia dramática e humorística, e oscila bastante entre esses dois extremos. Um dos pontos positivos da escritora é justamente transformar momentos tristes para a personagem em hilários para o espectador.

A narrativa é feita em terceira pessoa. Cecelia Ahern demonstra habilidade e clareza ao escrever, porém percebe-se falta de amadurecimento neste seu trabalho. Houveram situações e personagens que pareceram exageradas, o que afeta muito a naturalidade da história. Em alguns momentos o leitor consegue perceber claramente a intenção da autora ao descrever determinada cena, mas não consegue sentir autenticidade suficiente para acreditar nessa intenção.

As personagens são engraçadas e heterogêneas. A família de Holly é composta por Frank (o pai disperso), Patrícia (a mãe amorosa), Richard (o irmão “careta”), Jack (o irmão divertido), Ciara (sua irmã entusiasmada) e Declan (o irmão caçula). Suas melhores amigas, Sharon e Denise, são companheiras divertidas e leais.

Apesar da distinção desses elementos – que traz dinamismo aos acontecimentos -, algumas características das personagens são um tanto quanto caricatas. O comportamento delas em várias cenas parece um pouco artificial e forçado, o que é intensificado pelo uso constante da palavra “histérico”. Não é raro a autora narrar reações desse modo: “riu histericamente”, “chorou de modo histérico”, etc. Essa impressão diminuiu a medida que me acostumei com a narrativa e com as personalidades da histórias, mas inicialmente não me agradou.

O excesso de drama em P.s. Eu Te Amo também me incomodou um pouco. O sofrimento de Holly parece muitas vezes exagerado, apelando para um melodrama inerente da personagem. Isso traz densidade para a narrativa, tornando a leitura um pouco monótona e repetitiva.

Independente disso, a premissa da obra é muito bonita. Os episódios pelos quais Holly passa trazem uma reflexão interessante sobre perda, amor, coragem, amizade e superação. Os leitores decerto poderão rever sua opinião sobre as dificuldades da vida. Quem aprecia um romance dramático mas divertido irá amar P.s. Eu Te Amo. Uma história romântica contada sob uma perspectiva diferente do habitual.

P.s.: Eu Adorei.

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Este foi o terceiro livro de abril e sexto do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

Resenha: As Vantagens de Ser Invisível (Stephen Chbosky)

Olá, galera! Tudo certo?

O quinto livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é o fofíssimo As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky. Sua obra ganhou uma belíssima adaptação de cinema com os atores Logan Lerman (Charlie), Emma Watson (Sam) e Ezra Miller (Patrick) desempenhando os papéis principais. Mas, embora eu tenha me encantado desde o início com esse elenco maravilhoso e a trilha sonora belíssima, foi a história que realmente me cativou. Eu precisava comprar esse livro!


Título: As Vantagens de Ser InvisívelAs-Vantagens-de-Ser-Invisível

Autor: Stephen Chbosky

Editora: Rocco

Páginas: 224

Sinopse: Manter-se à margem oferece uma única e passiva perspectiva. Mas de uma hora para outra sempre chega o momento de encarar a vida do centro dos holofotes. A luta entre apatia e entusiasmo marca o fim da adolescência de Charlie nesta história divertida e ao mesmo tempo instigante.

 


As Vantagens de Ser Invisível entrou definitivamente para a minha lista de favoritos. O livro conta as aventuras de um adolescente tímido e solitário, que resolve compartilhar suas experiências através de cartas anônimas. Para isso, ele utiliza o pseudônimo de “Charlie”. Em seus textos íntimos e delicados, o protagonista envolve o leitor em sua tentativa constante de participar e encontrar um significado para seus sentimentos. Uma história sincera e delicada, mas nada trivial.

O livro é escrito em primeira pessoa, o que torna a narrativa essencialmente mais simples. As cartas possuem um tom íntimo e verdadeiro, se assemelhando a conversas particulares entre amigos próximos. Elas abordam assuntos como solidão, amizade, paixão, sexualidade, drogas e muitos outros dilemas substanciais da adolescência. Stephen escreve exatamente no ponto necessário para o desenrolar da história.

Apesar de íntimas, as cartas nem sempre são explícitas. Por conta da personalidade introvertida e inocente de Charlie, muitos detalhes são omitidos ou camuflados em suas palavras. Momentos pessoais – alguns relacionados a sexo – são narrados de modo que fiquem subentendidos para o leitor. Isso permite uma margem de interpretação maior, embora muitos leitores possam se frustrar com a sinteticidade ou a falta de detalhamento de algumas cartas.

“Eu sei que há pessoas que dizem que isso não acontece. E há pessoas que se esquecem do que é ter 16 anos quando fazem 17 anos. Sei que tudo isso não passará de histórias. E que nossas imagens se tornarão fotografias antigas. Todos nos tornaremos pais de alguém. Mas agora esses momentos não são histórias. Isso esta acontecendo.”

Os personagens descritos são encantadores. Os irmãos postiços Sam e Patrick (ou nada) são extrovertidos, autênticos e carismáticos. Pensam e agem de forma libertária, seguindo suas vontades independente de regras e paradigmas. São basicamente o oposto de Charlie, mas acabam ganhando seu amor e sua admiração. Essa amizade impulsiona o protagonista a participar, experimentar e viver mais.

Outro personagem importante é Bill, professor de inglês de Charlie. No decorrer da história, o homem recomenda diversos livros (que me parecem excelentes!) para o adolescente e fornece muitos conselhos valiosos, tornando-se uma espécie de orientador. A frase mais famosa desta obra é dita por ele.

– Charlie, a gente aceita o amor que acha que merece.

Eu fiquei ali, quieto. Bill deu um tapinha no meu ombro e um novo livro para ler. Depois disse que estava tudo bem.

Um dos fatores mais marcantes deste livro é a dureza. Sua história é delicada, mas alguns acontecimentos intensos e difíceis dão firmeza ao drama. Não tem como não se envolver e se sensibilizar com o sofrimento do protagonista.

Além disso, a atemporalidade da obra causa é impressionante. Embora tenha sido escrita e narrada em uma época diferente, a história ainda é moderna e atual. Stephen trata assuntos polêmicos – como drogas, sexualidade e religião – com naturalidade, sem apelar demais para o debate social. O leitor decerto se identificará com os dilemas que os personagens enfrentam, bem como as situações que vivem.

Sam batucava com as mãos no volante. Patrick colocou o braço para fora do carro e fazia ondas no ar. E eu fiquei sentado entre os dois. Depois que a música terminou, eu disse uma coisa:

“Eu me sinto infinito.”

As Vantagens de Ser Invisível é uma leitura apaixonante e envolvente. Um livro com narrativa simples e personagens simples, mas uma história intrinsecamente complexa. Quem procura o que está nas entrelinhas certamente encontrará ensinamentos e reflexões interessantes. Uma boa pedida para quem aprecia dramas tocantes e joviais, que fazem você querer se sentir infinito.

Este foi o segundo livro de abril e quinto do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

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Resenha: Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia (Nelson Motta)

Olá, galera! Tudo certo?

O quarto livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é o “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”. Trata-se de uma biografia sobre Sebastião Rodrigues Maia escrita pelo inteligentíssimo Nelson Motta, jornalista e produtor musical, além de amigo próximo do cantor. Um livro recomendadíssimo para quem aprecia a música brasileira e um pouquinho de insanidade cotidiana. Segue a resenha.


Título: Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia

Autor: Nelson Motta

Editora: Objetiva

Páginas: 392

Sinopse: AUTODEFINIDO “preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares, o tijucano Tim Maia integrou o funk e o soul aos ritmos brasileiros, criou um estilo único e exuberante e se tornou um dos artistas mais queridos do público, da crítica e principalmente de outros artistas de diversos gêneros e gerações. Cantor extraordinário, de voz potente e fabuloso sentido rítmico, além de incontáveis sucessos que até hoje animam festas e embalam romances, Tim criou também um dos mais hilariantes personagens do Brasil moderno, o síndico anárquico, polêmico e indomável, desafiando a leia e a ordem em nome da música e da liberdade. Como raros artistas brasileiros, Tim sempre fez apenas o que queria, com quem e quando queria, do jeito que queria. E pagou o preço da sua liberdade e independência com inúmeras brigas e processos judiciais com gravadoras e empresários, se tornando um dos primeiros músicos brasileiros a ter sua própria gravadora e controle total da sua carreira. O jornalista e produtor musical Nelson Motta foi amigo e fã de Tim desde 1969, quando produziu o seu histórico dueto com Elis Regina, até 1997, em Nova York, poucos meses antes de sua morte. Sem censura, sem restrições e sem julgamentos, fiel à memória rebelde, desbocada e transgressora de Tim Maia, Nelson narra com paixão e irreverência s sua carreira brilhante e sua vida turbulenta, esperando que, como na canção de Caetano Veloso, tudo saia com o som de Tim Maia.


Esta é a primeira biografia que leio em minha vida.

Eu acreditava erroneamente não apreciar esse tipo de literatura, mas “Vale Tudo” acabou excedendo minhas expectativas de várias maneiras. Diferente do esperado para o gênero, a leitura é prazerosa e divertida. A história tem fluência, humor e irreverência característica do artista biografado. Há uma fidelidade impressionante à personalidade de Tim Maia.

O livro conta a história de um dos maiores cantores da música brasileira desde sua infância até seu amadurecimento. São relatadas suas primeiras aventuras musicais durante a juventude, sua estadia conturbada nos Estados Unidos, sua relação com as drogas, sua coleção de processos e LPs, suas parcerias com grandes músicos, etc.

Tudo isso é incrementado pela rebeldia e imprevisibilidade de Tim Maia. Os aspectos pessoais da vida do cantor, como suas paixões e seus vícios, são retratados de maneira entusiástica em meio a trajetória profissional. O leitor é apresentado ao polêmico estilo do artista, sem crítica ou censura.

Foi nessa entrevista, gravada, que ele disse sua frase imortal:

“Não fumo, não cheiro e não bebo, mas às vezes minto um pouquinho.”

Além disso, o contexto histórico é repleto de referências musicais interessantíssimas. Nelson Motta demonstra possuir um conhecimento amplo e profundo, descrevendo perfeitamente a realidade da época. Muitos músicos famosos são apresentados ao decorrer da história, sendo a maioria deles parceiros e admiradores do “pretinho da tijuca”. Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jorge Benjor, Rita Lee, Sandra de Sá e os componentes da banda Vitória Régia são alguns dos personagens artísticos importantes do enredo.

O protagonista é simpático e irreverente. Embora fosse um músico impressionante, com potencial vocal surpreendente e ótima habilidade rítmica, Tim Maia vivia numa montanha-russa constante. Faltava em seus shows, quebrava contratos de LPs, demitia e admitia músicos em sua banda sem hesitação, se acabava em seu triatlon (uma maratona de uísque, maconha e cocaína que realizava em companhia de amigos), não comparecia às audiências dos vários processos que sofria… Uma agitada e conturbada carreira musical.

“Fiz uma dieta rigorosa. Cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas perdi 14 dias.”

No entanto, certos aspectos da biografia não me agradaram. A cronologia nem sempre é respeitada – deixando algumas coisas um pouco vagas – e alguns dos acontecimentos relatados acabam parecendo repetitivos. Suas faltas em shows, suas brigas com amigos, seus desentendimentos com a lei e suas recaídas com as drogas se repetem frequentemente. O modo similar e repetitivo com que esses episódios acontecem acabam tornando a leitura um pouco cansativa ao decorrer do livro.

Sem mais delongas, “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” é uma excelente biografia. Quem gosta música, uma história bem-humorada e um personagem doidão irá se apaixonar por este livro. Super recomendo!

Este foi o primeiro livro de abril e quarto do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

#Projeto50LivrosEmUmAno – Abril

Sim, o projeto ainda está rolando!

Houve uma parada de aproximadamente dois meses, mas ainda tenho tempo. Para quem ainda não sabe, o #Projeto50LivrosEmUmAno se trata de um desafio em que a pessoa se propõe a ler 50 livros no período de um ano e compartilhar sua experiência através de suas redes sociais – no meu caso através do blog também. Portanto, saltemos dos meses de fevereiro (embora uma das resenhas tenha sido postada nesse mês) e de março para o mês de abril. Então, bora tacar pau nesse carrinho.

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Os livros escolhidos para o mês abril do projeto foram, em grande parte, recomendados e emprestados. Serão cinco no total, sendo quatro exemplares de amigos e familiares, enquanto apenas um é meu.

Diferente do primeiro mês, estes são livros mais pessoais e românticos. Na lista temos a biografia “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” do Nelson Motta, o fofíssimo “As Vantagens de Ser Invisível” de Stephen Chbosky, o romântico “P.s.: eu te amo” de Cecelia Ahern, “O Lado Bom da Vida” de Matthew Quick e “Dezesseis Luas” de Kami Garcia e Margaret Stohl.

Coincidentemente, todos esses livros inspiraram adaptações cinematográficas famosas. Um fato que acredito combinar com o mês de abril, em que vários filmes esperadíssimos serão lançados. A proposta será justamente trazer obras que inspiraram esse tipo de produção e incentivar a leitura dos trabalhos originais.

Aliás, o único dos filmes que ainda não assisti é “O Lado Bom da Vida”. Pretendo rever todos eles assim que terminar a leitura dos livros, bem como assistir o que ainda não havia assistido. Enfim, confiram a lista de resenhas abaixo:

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Veja também os livros do mês de janeiro: #Projeto50LivrosEmUmAno – Janeiro.

Resenha: Morte Súbita (J. K. Rowling)

O terceiro livro do #Projeto50LivrosEmUmAno é Morte Súbida, de J. K. Rowling. Demorou um pouquinho, mas a resenha finalmente está pronta. O livro havia sido escolhido e colocado na lista dos livros de janeiro. Espero que apreciem a resenha. ;)


Morte SúbitaTítulo: Morte Súbita

Autor: J. K. Rowling

Editora: Nova Fronteira

Páginas: 651

Sinopse: Quando Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque.

A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista.

A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos.


Morte Súbita é mais uma prova da genialidade e do talento de J. K. Rowling. A escritora, que é conhecida pelos sucessos mundiais que compõe o universo de Harry Potter, retornou com uma literatura um pouco diferente: um livro de conteúdo realista e profundo voltado para o público adulto. Uma realidade nua e crua, retratada exatamente como deveria ser.

Devo admitir que as minhas primeiras impressões não foram muito boas. O livro tem uma aura muito diferente do esperado, retratando uma história que inicialmente não parece muito empolgante. Além disso, a narrativa da escritora se mostra diferente. Ela escreve de forma escancarada e objetiva, sem toda a beleza descritiva das suas obras anteriores – o que acaba se tornando um dos pontos positivos da obra.

A dureza com que Rowling descreve os acontecimentos torna sua obra envolvente e impactante. Os muitos assuntos polêmicos são apresentados sem atenuação ou delonga, escancarando para o leitor facetas cruéis da sociedade. Fator esse que torna a leitura ainda mais empolgante.

Na sua opinião, o maior erro de noventa e nove por cento das pessoas é ter vergonha de serem quem são, é mentir a esse respeito, fingindo ser alguém diferente. A honestidade era a sua marca, a sua arma, a sua defesa. Quando somos honestos, as pessoas se assustam, ficam chocadas.

O enredo se desenvolve a partir da morte de Barry Fairbrother. Sua partida gera uma vacância – vaga não preenchida de cargo público – e, consequentemente, um desequilíbrio em uma antiga disputa política. Os habitantes do vilarejo se veem incluídos nesse conflito, agora intensificado pelo vazio deixado pelo falecido.

Entretanto, a política não é a característica essencial da história. Os desentendimentos e os dramas pessoais, que abordam assuntos polêmicos da sociedade, ganham destaque a medida que o romance se desenrola. A crítica embutida fica evidente a cada alfinetada da autora, implícita nos episódios impactantes do livro.

Morte Súbita também não tem protagonista. As personagens muito bem construídas cativam o leitor, mas não são o centro da obra. O astro do livro acaba sendo, na verdade, a fatalidade e a crueza da história. O teor dos acontecimentos, que oscilam rapidamente entre cômicos e trágicos, cria um drama repleto de humor negro que encanta enquanto surpreende.

– É – disse Andrew, pensando em guerras e acidentes de automóvel, e em morrer sob as luzes da velocidade e da glória.

– É – repetiu Bola. – Foder e morrer. É isso aí, né. Foder e morrer. É a vida!

– Tenta foder e tentar não morrer.

– Ou tentar morrer. – replicou Bola. – Para algumas pessoas é assim. Correndo riscos.

– Verdade. Correndo riscos.

O drama de Morte Súbita é bastante fatídico. Temas como infidelidade, maus-tratos, drogas, automutilação, estupro, bullying, distúrbios psicológicos e afins são retratados com objetividade e naturalidade espantosas. Não são raros os momentos que os episódios do livro chegam a impactar o leitor. Outro ponto para a genialidade da escritora.

Porém, quem esperava algo parecido com Harry Potter pode se decepcionar com esse livro. Rowling certamente quis atingir seu público antigo com uma literatura nova e adulta, mostrando uma faceta até então desconhecida. Então não existe semelhança evidente entre as obras.

De todo modo, Morte Súbita entrou para a minha lista de livros prediletos (junto com a série do bruxinho)! Fiquei simplesmente apaixonado pelas personagens tão originais e distintas, bem como seus dramas densos e angustiantes. J. K. Rowling é simplesmente genial.

Este foi o terceiro livro de janeiro do #Projeto50LivrosEmUmAno. Acompanhem a iniciativa através do blog e também pelo instagram: @guhh_andrade

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